O prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), voltou a expor nesta semana o racha que divide seu partido em Mato Grosso. Na quinta-feira (17), ele participou do evento de lançamento da candidatura de José Medeiros (PL) ao Senado com adesivos do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e do candidato Mauro Mendes (União) colados ao peito, ou seja, apoiando abertamente o adversário direto de Wellington Fagundes (PL) na corrida ao Palácio Paiaguás.
Questionado se temia reação da sigla, o prefeito recorreu à defesa da liberdade de escolha. Disse que o país vive em democracia e que ninguém deve ser obrigado pela força a seguir determinada candidatura, defendendo que divergências se resolvam pela persuasão e pela apresentação de propostas. "Estou do lado do que eu acho melhor para Mato Grosso", afirmou. Sobre eventual advertência formal do partido, respondeu que não tinha conhecimento.
Evento sem o candidato do partido ao Governo
O simbolismo do encontro foi ampliado por uma ausência: Wellington Fagundes, nome oficial do PL para o Governo do Estado, não recebeu convite para o evento de Medeiros. Enquanto isso, prefeitos liberais ameaçados de expulsão por apoiarem Pivetta foram recebidos sem constrangimento. Além de Cláudio, esteve presente o prefeito de Primavera do Leste, Sérgio Machnic, também filiado ao PL e alinhado ao republicano, e Abilio Brunini, Prefeito da capital Cuiabá.
Do apoio em agosto à perda do diretório
A posição de Cláudio não é nova. Ainda em agosto, durante evento em Rondonópolis, ele declarou apoio a Pivetta afirmando ter consciência do custo político da escolha e sustentando que os partidos existem em função das pessoas, e não o contrário. Poucas horas depois veio a retaliação: o prefeito perdeu a presidência do diretório municipal do PL em Rondonópolis.
Em seguida, o presidente estadual da legenda, Ananias Filho, anunciou a abertura de procedimento interno contra três gestores: Cláudio Ferreira, Sérgio Machnic e Flávia Moretti, de Várzea Grande. O caso foi encaminhado ao departamento jurídico do partido, com direito de defesa assegurado e possibilidade de o relator sugerir a expulsão ao final. Ananias afirmou não ver problema na divergência em si, mas criticou o fato de os prefeitos permanecerem filiados enquanto apoiam candidato de outra sigla.
Questionado se pretende deixar o PL após o pleito, Cláudio desconversou e disse que sua prioridade no momento é a disputa eleitoral.
Um problema que ultrapassa Rondonópolis
O episódio escancara a dificuldade do PL para manter unidade na reta final da campanha. Pivetta reúne o apoio declarado de mais de 130 prefeitos em Mato Grosso, número que inclui gestores liberais que preferiram o projeto do governador ao do senador escolhido pela legenda.
Ao fim da entrevista, Cláudio Ferreira reafirmou seu leque de apoios para outubro: Alessandra Ferreira, sua esposa, para deputada estadual; José Medeiros e Mauro Mendes para as duas vagas ao Senado; Otaviano Pivetta para o Governo de Mato Grosso; e Flávio Bolsonaro para a Presidência da República.
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