Quando assumiu o Palácio Paiaguás em 31 de março, Otaviano Pivetta (Republicanos) herdou mais do que uma cadeira, herdou a missão de provar que o grupo de Mauro Mendes (União Brasil) sobreviveria sem o seu líder na urna. Mendes renunciou para disputar o Senado, e o então vice passou a comandar o Estado já como pré-candidato. A oito dias do primeiro turno, a aposta parece ter dado certo, pelo menos segundo a maioria das pesquisas.
De Lucas do Rio Verde ao Paiaguás
Gaúcho de Caiçara, Pivetta tem 67 anos, é produtor rural e chegou a Mato Grosso em 1982. A carreira política foi construída em Lucas do Rio Verde, cidade que governou três vezes em mandatos alternados entre 1997 e 2016. Passou ainda pela Assembleia Legislativa e, em 2018, virou vice de Mauro Mendes. Quatro anos depois, já no Republicanos, repetiu a dobradinha, que venceu no primeiro turno com cerca de 68% dos votos válidos.
A trajetória partidária é longa, antes do Republicanos, passou por PFL, PPS, PSB e PDT. Na eleição de 2026, concorre com o número 10, pela coligação Mato Grosso Não Pode Parar. É também um dos candidatos mais ricos do país, com R$ 575,68 milhões em bens declarados à Justiça Eleitoral.
A virada nas pesquisas
A série do instituto MT Dados mostra bem o movimento. Em maio, Wellington Fagundes (PL) liderava com 27%, contra 20% de Pivetta. Em julho, os dois estavam praticamente colados. Em agosto, empatavam em 27%. Na rodada divulgada nesta semana, o governador aparece com 34%, contra 26% do senador e 14% de Natasha Slhessarenko (PSD).
O Paraná Pesquisas, com coleta de 15 a 17 de setembro, aponta vantagem ainda maior: 42,4% para Pivetta e 29,6% para Wellington. O mesmo levantamento dá ao governador a menor rejeição entre os principais nomes, 19,6%, contra 26,8% do senador.
Nem todos os institutos confirmam o cenário. A AtlasIntel, em pesquisa divulgada em 10 de setembro, colocou Wellington numericamente à frente, com 34,4% contra 30,8%, empate técnico dentro da margem de erro.
O discurso da continuidade
A estratégia de Pivetta é se vender como a sequência natural de uma gestão bem avaliada. Na posse, ele prometeu manter a prioridade na parceria com as prefeituras, com repasses e obras nos municípios. Em Rondonópolis, por exemplo, o governo anunciou em maio o aumento do contrato com a Santa Casa de R$ 94 milhões para R$ 268 milhões por ano, e o Estado tocou o pacote de obras viárias da cidade, que inclui a licitação do viaduto da Avenida dos Estudantes homologada nesta sexta.
A oposição, por sua vez, aposta na força do PL e no alinhamento nacional com a candidatura de Flávio Bolsonaro para tentar levar a disputa ao segundo turno. Nas simulações de segunda rodada, porém, a maioria dos institutos indica vantagem do governador contra qualquer adversário, com exceção da AtlasIntel, que também dá Wellington à frente num eventual confronto direto.
O primeiro turno acontece no domingo, 4 de outubro. Se nenhum candidato superar 50% dos votos válidos, a decisão fica para 25 de outubro.
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