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Polícia Sete anos depois

PM que arriscou a própria vida para salvar idosa agora pode ser promovido por bravura

Deputado Max Russi formalizou pedido

01/09/2026 07h55
Por: Redação Veja MT
PM que arriscou a própria vida para salvar idosa agora pode ser promovido por bravura

Sete anos depois de colocar a própria vida em risco para salvar uma idosa durante um incêndio, o cabo da Polícia Militar Irineu Alves da Costa pode finalmente ter sua atuação reconhecida oficialmente.

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso encaminhou ao Governo do Estado e ao Comando-Geral da Polícia Militar uma indicação para que seja instaurado o procedimento necessário à análise de uma possível promoção por ato de bravura do policial. A iniciativa é do deputado estadual Max Russi e foi formalizada por meio da Indicação nº 2680/2026.

O episódio aconteceu na madrugada de 15 de novembro de 2018, no Lar dos Idosos São Vicente de Paulo, em Pedra Preta. O fogo tomou parte da instituição enquanto diversos idosos permaneciam no interior do prédio, muitos deles sem condições físicas de escapar sozinhos.

Em meio à fumaça e às chamas, Irineu avançou para dentro do imóvel carregando um extintor. O policial tentou conter o fogo que atingia uma das internas, que acabou morrendo. Na sequência, percebeu que outra idosa permanecia no local, debilitada pela inalação de fumaça e sem condições de sair por conta própria.

O cabo voltou a entrar no ambiente de risco e conseguiu retirar a mulher do prédio em chamas, preservando sua vida. A própria justificativa apresentada à Assembleia destaca que a conduta teria ultrapassado os limites da atuação ordinária esperada do policial, diante do risco concreto e imediato à sua própria integridade.

UM RECONHECIMENTO QUE CHEGA ANOS DEPOIS

A atuação do militar não ficou restrita à lembrança dos moradores ou dos colegas de farda. Em julho deste ano, Max Russi já havia apresentado uma Moção de Aplausos em homenagem ao cabo, aprovada pelo plenário da Assembleia Legislativa.

Agora, o parlamentar quer ir além do reconhecimento simbólico.

A indicação pede que o caso seja submetido à análise da administração militar para verificar se a atuação de Irineu preenche os requisitos legais para uma promoção por ato de bravura.

O pedido é sustentado, inclusive, por documentação técnica. O Laudo Pericial Criminal elaborado pela Gerência de Criminalística de Rondonópolis da Politec registra elementos sobre a dimensão do incêndio, o óbito de uma das ocupantes e as condições de risco enfrentadas pelas demais vítimas.

NÃO É UMA PROMOÇÃO AUTOMÁTICA

Apesar do pedido, a indicação não significa que a promoção já esteja concedida.

A legislação estadual prevê a promoção por ato de bravura para situações em que o militar pratica ato incomum de coragem e audácia, ultrapassando os limites normais do cumprimento do dever. A análise e eventual reconhecimento dependem do procedimento próprio dentro da administração militar.

O próprio documento parlamentar reconhece que cabe à Polícia Militar apurar os fatos e verificar se a ocorrência efetivamente caracteriza ato de bravura para fins de promoção.

No caso de Irineu, entretanto, há um elemento que torna a história particularmente marcante: enquanto muitos tentariam escapar de um prédio em chamas, o policial fez o caminho contrário.

Agora, quase oito anos depois daquela madrugada, a decisão está nas mãos das autoridades responsáveis pela análise do procedimento.

A pergunta que fica é simples: se entrar em um incêndio para salvar uma pessoa que não conseguia escapar sozinha não é um ato de bravura, o que seria?

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